Camaçari viveu, nesta quarta-feira (7), um de seus momentos mais simbólicos do calendário religioso e cultural. Em honra a São Thomaz de Cantuária, padroeiro do município, a comunidade católica se reuniu em celebração marcada pela devoção, pelo sentido de pertencimento e pela reflexão coletiva sobre a missão cristã e a construção da paz.
Com o tema “Caminhos da missão: construindo a paz”, os festejos deste ano conduziram fiéis a uma experiência que uniu espiritualidade e vida cotidiana.

Para o prefeito Luiz Caetano, a celebração reafirma valores que dialogam diretamente com a vida em comunidade. “A festa do padroeiro é sempre um momento bonito, de união e reflexão. Ela fortalece a identidade católica da cidade, preserva a história e, também, nos inspira a trabalhar por uma Camaçari mais justa, fraterna e em paz, respeitando todas as expressões religiosas”, afirmou.
O pároco da Paróquia Catedral São Thomaz de Cantuária, padre Milton Pereira, enfatizou o exemplo deixado por São Thomaz Becket, bispo de Cantuária e mártir, como referência de coragem, justiça e compromisso com o bem comum. “Celebrar nosso padroeiro é recordar que a missão cristã se constrói no testemunho, na defesa da dignidade humana e na busca permanente pela paz”, realçou.
Ápice da programação que marca o dia festivo, a tradicional procissão teve início por volta das 16h30, saindo da Paróquia Catedral dedicada ao santo – situada na Praça Desembargador Montenegro – e seguindo pelas ruas Costa Pinto, Adelina de Sá e do Telégrafo, bem como pelas avenidas Concêntrica e Doutor Manoel Mercês (antiga Radial B), passando ainda pela Praça Abrantes e retornando à Rua Costa Pinto, onde ocorreu a missa solene campal, presidida pelo bispo diocesano Dom Dirceu de Oliveira Medeiros.
“Essa cidade é uma cidade útero, cidade acolhedora. É bonito ver tanta gente que veio para cá, de diversos cantos, e aqui estabeleceram suas vidas. Com muita alegria, eu mesmo já sou cidadão camaçariense. Por isso, rezemos pelas nossas autoridades, para que sigam governando com justiça e integridade”, pontuou Dom Dirceu durante a homilia.
Em Camaçari, a devoção ao bispo e mártir foi iniciada por volta do século XX, após a chegada da família do desembargador Thomaz Montenegro. Naturais da Inglaterra, trouxeram empregados para auxiliar na construção da linha férrea que corta o município, marcando o começo da identidade católica da cidade.
A realização dos festejos contou com o apoio da Prefeitura de Camaçari, por meio da Secretaria de Governo (Segov) e da Coordenação de Eventos, além do Governo do Estado, assegurando organização, segurança e acolhimento ao público.
Entre os fiéis, o sentimento era de gratidão e renovação da esperança. Antônio Mota, 74 anos, participa assiduamente da procissão. Devoto fiel do santo, ele atribui a cura de um câncer, há cerca de 26 anos, à intercessão de São Thomaz. “É um dia que toca o coração de forma muito significativa. Desde que alcancei minha graça, venho cumprir minha promessa de carregar o andor na procissão e, durante os nove dias, participo da novena vestido de vermelho”, revelou o morador do bairro Lama Preta.
Moradora do bairro Gravatá, a dona de casa Lindalfa Florinda Santos, 77 anos, destacou a força do coletivo. “É impressionante ver tanta gente diferente unida pelo mesmo propósito. A gente sente a fé viva. Camaçari é uma cidade abençoada pela intercessão de São Thomaz, todo ano faço questão de estar aqui e, a cada ano, os festejos ficam melhor”, relatou.
Encerrando a noite festiva, as apresentações dos músicos católicos Clayton Borges e William Sanfona envolveram o público em um clima de louvor e confraternização. Com sua proposta de unir os cânticos da igreja ao ritmo do forró, William Sanfona mostrou por que vem conquistando espaço nas redes sociais, aproximando fé e cultura popular.
Foto: Patrick Abreu e William Rocha
