A força da arte, da memória e do diálogo marcou a realização do seminário “Julho é das Pretas”, promovido pela Prefeitura de Camaçari na tarde desta sexta-feira (31), no Teatro Alberto Martins (TAM). Integrando a programação do Julho das Pretas da Secretaria da Mulher (Semu), a iniciativa reuniu centenas de participantes em torno de uma agenda voltada à valorização da identidade, da cultura, do empreendedorismo e da garantia de direitos.
O prefeito Luiz Caetano reforçou que a promoção da igualdade racial e de gênero é um compromisso permanente da gestão municipal. “Construir uma cidade mais justa passa, necessariamente, pelo fortalecimento de políticas públicas que garantam direitos, ampliem oportunidades e reconheçam o protagonismo das mulheres negras. O Julho das Pretas reforça esse compromisso com a valorização da diversidade, o combate ao racismo e a violência contra a mulher”, afirmou.
Para a titular da Semu, Branca Patrícia, o Julho das Pretas ultrapassa o caráter simbólico e representa um chamado permanente à construção de políticas públicas que enfrentem as desigualdades históricas.
“Falar sobre as mulheres negras é falar sobre justiça social e a constante luta pelos seus direitos. O Julho das Pretas é uma celebração e reafirma também o compromisso do município em promover espaços de escuta, reflexão e construção coletiva, fortalecendo políticas públicas que reconheçam o protagonismo dessas mulheres e enfrentem todas as formas de discriminação”, disse.
Com uma programação plural, o evento contou com palestra da socióloga Vilma Reis, apresentação do espetáculo “Mukunã: do Fio à Raiz”, protagonizado pela atriz e pesquisadora Vika Mennezes, exposição fotográfica “A Beleza Negra”, com imagens premiadas do fotógrafo Marilton Trabuco, uma feira de afroempreendedorismo e apresentações musicais.
Durante a apresentação do espetáculo, o público foi conduzido por uma narrativa sensível sobre ancestralidade, identidade e pertencimento, tendo o cabelo crespo como símbolo das memórias, dos afetos e das marcas deixadas pelo racismo estrutural.
Ao trazer a importância da apresentação, Vika Mennezes, que é professora da rede municipal de Camaçari, realçou o papel da cultura na transformação social. “A arte alcança lugares onde, muitas vezes, o discurso não chega. Quando compartilhamos histórias, despertamos identificação, acolhimento e consciência. Fiquei muito feliz de falar, principalmente para as estudantes, como foi o meu processo de aceitação do meu cabelo, de forma leve, que muitas vezes só a arte possibilita”, comentou.
Na plateia, a identificação com a narrativa de todo o evento ficou evidente, sobretudo para os estudantes das escolas municipais Professora Lídia Coelho Pinto e São Thomaz de Cantuária.
“A palestra foi bem legal e a peça me emocionou, porque falou de vivências que muitas mulheres negras carregam, desde a infância. Eu, como jovem e mulher em formação, me senti representada principalmente quando trouxe a identidade que carregamos nos nossos cabelos”, compartilhou a estudante do São Thomaz de Cantuária, Nailane Santos, 14 anos.
Também estudante do São Thomaz de Cantuária, Manuela Tainá Cruz, 15 anos, enfatizou a relevância de iniciativas que unem conhecimento e manifestações culturais. “Em eventos como este podemos ver educação e cultura. O conhecimento é bem necessário, mas a arte toca a gente, ainda mais quando a gente se vê nas pessoas que estão falando e encenando”, opinou.
A diversidade das atividades reafirmou a importância de ampliar espaços de visibilidade para mulheres negras, reconhecendo suas contribuições históricas, sociais, políticas e culturais para a construção da sociedade.
Criado em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, o Julho das Pretas constitui uma mobilização nacional em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho. No Brasil, a data também homenageia Tereza de Benguela, símbolo da resistência negra e da luta pela liberdade.
Foto: Patrick Abreu
